terça-feira, 16 de novembro de 2010

O EMPREGO DAS BEBIDAS AOS ORIXÁS

Desde o descobrimento do Brasil já havia a preocupação da exploração do solo para o sustento do povo.Os portugueses nas qualidades de colonizadores, empenharam-se na conquista de nosso território, utilizando a mão de obra escrava.Os africanos dedicaram-se á lavoura: cultivo de café, de cana-de-açúcar e de também das videiras.Orientados pelos portugueses, aprenderam a fazer vinhos, que naquela época eram fabricados sem nenhuma química que influísse em seu processo de maturação.As uvas eram colocadas no mosto e eram amassadas com os pés, enquanto de uma torneira meio aberta ia pingando o vinho que hoje conhecemos como Rose.Com a torneira toda aberta saia vinho tinto.O vinho tinto é feito de uvas escuras (chamadas tintureiras), e o branco das uvas brancas.Com o bagaço das uvas é feita a cachaça que os portugueses chamam de bagaceira.
O vinho é a bebida de suma importância.O primeiro milagre de Cristo foi à transformação da água em vinho, num casamento realizada em m Canaã.Dentro do ritual dos orixás, o vinho representa o sangue de cristo.No catolicismo o vinho representa igual papel.
Com a continuação do tempo os escravos se dedicaram ao cultivo de cana-de-açúcar.A festa da Moagem era importantíssima na vida do engenho do Brasil Colônia.Vinha o padre benzer as plantações, as moedas, os escravos, que tudo faziam para receber os respingos da água benta.Dos arredores chegavam os senhores das casas grandes, cantadores, compadres e amigos.A casa recebia a todos em seus salões enfeitados, e, alegremente, a festa estendia-se aos terreiros.Noite adentro, a bela e convidativa mesa retinha todos a seu redor, renovando e solidificando amizades.Os doces eram o espírito da festa, com seus nomes sonoros e um tanto malicioso.Delicados sabores derivados de côco, ovos, açúcar, farinha, e principalmente, muita imaginação das velhas escravas. Alguns desses doces se popularizaram, e hoje são servidos nas festas de Ibejis (crianças).Também da cana-de-açúcar se faz a tão apreciada cachaça.
Com os índios aprendemos a fazer guaraná, a partir de um fruto do mesmo nome, bebida esta que igualmente é servida aos Ibejis.
Nas grandes senzalas á noite, ao som de cânticos e rezas, os negros escravos faziam oferendas aos orixás, incluindo as respectivas bebidas.Faziam o aluá de arroz ou de abacaxi
Os indígenas também faziam esta bebida.Como o aluá serve para todos os orixás, muitos terreiros fazem uso dela.
Até o fim do século passado à escolha da bebida não tinha importância de hoje, pois havia apenas a preocupação de que fosse boa.Era então usada com qualquer comida, sem nenhuma etiqueta.Com o desenvolvimento da gastronomia, com a preocupação de se comer cada vez melhor, o paladar foi se apurando de tal forma que se passou a exigir maior harmonia entre comidas e bebidas.Graças à fé, a humildade, a caridade e a bondade dos escravos, nós, através dos mesmos, aprendemos a oferecer as bebidas aos orixás.
Á Exú, orixá dos caminhos, oferecemos cachaça, aniz, Martini e wiskie.
A Oxalá oferecemos vinho tinto ou champanhe, pois para o “Pai Maior” ofertamos melhor.
Oxum, Nanã e Yemanjá, água mineral ou das fontes, pois as são donas das mesmas.
Iansã bebe vinho moscatel e champanhe.
Xangô e Ogum bebem respectivamente cerveja preta e cerveja branca.
Oxosse bebe vinho tinto e os caboclos bebem vinho tinto e batida de amendoim.
Obaluaê e Omulu bebem vinho tinto
Ossanha bebe vinho tinto e cachaça com mel.
Oxum-Marê bebe vinho tinto, vinho moscatel, café, cachaça com mel (meladinho), vinho tinto com café.
Os Ibejis bebem água com açúcar, soda, guaraná e amindundum (café).
Além das bebidas citadas, todos os orixás bebem aluá.A água é uma das principais bebidas, pois é a força fluídica universal.
Nos Boris e feituras há a quebra de quizila das bebidas.Mistura-se todas as bebidas dos orixás, excetuando as de exú, dando-se para o iaô beber, o que fará com que a pessoa futuramente possa ingerir qualquer tipo de bebida, sem que as mesmas lhe façam mal.
As bebidas, assim como tudo que é belo e feliz, participam das mesas de homens e deuses, complementando os vínculos entre céu e terra.


Lya Wilma de Almeida

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